De tanto viajar ficou sem porto. E meio aereo. So se sentia em casa num único lugar: no aereo-porto.
Em meio a tantas cidades diferentes apenas a permanente igualdade entre os aeroportos o consolava. Era a igualdade em meio a diferença.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Um taxista elitista
Ainda nao sei como tem gente que gosta do Lula.
Ninguem ve o que ele fez com o Brasil?
Veja so meu caso, trabalho de taxista do aerporto.
Antes so pintava gente fina em meu taxi. Era todo mundo limpo e educado. Cada viagem era um novo aprendizado, eu tinha orgulho de meu trabalho.
Agora pinta cada pobre que nem lhe digo. Parece rodoviaria do tiete. So faltou nordestino viajando com gaiola de galinha, o resto tudo eu ja vi. Nao tem condicao.
O problema e que pobre nao tem responsabilidade. Gasta tudo que ganha. E só voce deixar ele classe media que ele gasta tudo.
Ai acontece isso tudo. Caos aereo, por exemplo. Foi por conta disso. Muito pobre pegando voo.
E o transito entao?
veja o caos que esta agora?
Culpa de quem? Do Lula. Quem mandou facilitar o credito de carro zero? Agora aguenta.
Agora esta tudo assim. Um caos. Ate o clube eles invadiram. Sou palmeirense antigo, de familia. Tive que parar de ir no clube. Chegou gente nao sei daonde, parece ate que estou no Corinthians. Nem um clube limpo a gente tem direito.
A praia entao nem pensar. Ha dez anos atras eu deixei a praia grande pois ela corinthianizou, chegou a zona leste em peso. Comprei uma kit em peruibe. Mas eles logo chegaram la tambem. Estou tentando agora comprar em Ubatuba, mas ja nem sei se adianta. Eu compro a peso de ouro, mas os pobre logo chegam e tudo que eu invisto desvaloriza. Antiguidade nao tem valor na era lula.
Ate mesmo Parati foi invadida. Zona leste dominou. Da dó de ver o patrimonio histórico dilapidado pelos incultos.
Tambem o que e que a gente ia esperar. Bem que meu pai avisou que isso de migracao ia acabar dando merda. Comecou com os hospitais. Os caras migravam para SP, ficavam doente e invadiam nossos hospitais. Assim nao tem imposto que chegue. Nem o saudoso prefeito Maluf conseguia resolver. Bem que ele tentava, mas era só ele criar um hospital que chegava uma nova leva de nordestinos. Eu nao sou necessariamente contra a migracao. Se o cara quer arriscar vir para ca , e direito dele. Mas nao tem sentido ele usar o hospital que foi construido com os impostos pagos pelos paulistas verdadeiros. Se nordestino ficar doente, tem que extraditar para o estado dele. Basico.
Mas nos fomos deixando. Nao agimos nos anos 70, nem nos 80. Náo deu outra. O cara virou presidente e abriu o mundo de vez.
Agora eles invadiram total.
Nao sei mais se tem jeito
Nao tem mais para aonde ir.
Ninguem ve o que ele fez com o Brasil?
Veja so meu caso, trabalho de taxista do aerporto.
Antes so pintava gente fina em meu taxi. Era todo mundo limpo e educado. Cada viagem era um novo aprendizado, eu tinha orgulho de meu trabalho.
Agora pinta cada pobre que nem lhe digo. Parece rodoviaria do tiete. So faltou nordestino viajando com gaiola de galinha, o resto tudo eu ja vi. Nao tem condicao.
O problema e que pobre nao tem responsabilidade. Gasta tudo que ganha. E só voce deixar ele classe media que ele gasta tudo.
Ai acontece isso tudo. Caos aereo, por exemplo. Foi por conta disso. Muito pobre pegando voo.
E o transito entao?
veja o caos que esta agora?
Culpa de quem? Do Lula. Quem mandou facilitar o credito de carro zero? Agora aguenta.
Agora esta tudo assim. Um caos. Ate o clube eles invadiram. Sou palmeirense antigo, de familia. Tive que parar de ir no clube. Chegou gente nao sei daonde, parece ate que estou no Corinthians. Nem um clube limpo a gente tem direito.
A praia entao nem pensar. Ha dez anos atras eu deixei a praia grande pois ela corinthianizou, chegou a zona leste em peso. Comprei uma kit em peruibe. Mas eles logo chegaram la tambem. Estou tentando agora comprar em Ubatuba, mas ja nem sei se adianta. Eu compro a peso de ouro, mas os pobre logo chegam e tudo que eu invisto desvaloriza. Antiguidade nao tem valor na era lula.
Ate mesmo Parati foi invadida. Zona leste dominou. Da dó de ver o patrimonio histórico dilapidado pelos incultos.
Tambem o que e que a gente ia esperar. Bem que meu pai avisou que isso de migracao ia acabar dando merda. Comecou com os hospitais. Os caras migravam para SP, ficavam doente e invadiam nossos hospitais. Assim nao tem imposto que chegue. Nem o saudoso prefeito Maluf conseguia resolver. Bem que ele tentava, mas era só ele criar um hospital que chegava uma nova leva de nordestinos. Eu nao sou necessariamente contra a migracao. Se o cara quer arriscar vir para ca , e direito dele. Mas nao tem sentido ele usar o hospital que foi construido com os impostos pagos pelos paulistas verdadeiros. Se nordestino ficar doente, tem que extraditar para o estado dele. Basico.
Mas nos fomos deixando. Nao agimos nos anos 70, nem nos 80. Náo deu outra. O cara virou presidente e abriu o mundo de vez.
Agora eles invadiram total.
Nao sei mais se tem jeito
Nao tem mais para aonde ir.
domingo, 16 de janeiro de 2011
tudo muda. Menos vanguarda
Como todo cineasta de van-guarda ele odiava o Van-Damme.Apesar dele também ser Van. E de ser guarda.
Seu auge foi no dia em que, premiado no Festival, foi aplaudido na van por seus amigos da guarda. Era uma van a Diesel. Uma van-Diesel
Seus amigos da guarda eram como ele: dedicavam a vida a fazer a guarda. Guarda do que? Do exato conceito de van-guarda.
Mesmo fazendo guarda ele não era de todo cão e nem sempre dizia não. E além de gostar de vans e de amar a guarda ele tambem gostava do Van Diesel*.
Mas não contava isso para seus amigos da guarda que andavam com ele nas vans. Mesmo sabendo que as van eram a diesel. Eram vans-diesel.
Mas foi tudo em vão. Cinema no Brasil é assim: não tem chão. E além do mais, "é tão díficil conseguir captação". Toda sua guarda foi em vão. Foi uma vã-guarda.
Hoje, Ele, quando muito, fica em casa. Ali. Sentado. Vendo televisão.
Nunca mais sequer andou de van. Mas , ao menos, nunca mais ficou na guarda.
Agora feliz, Ele brinca com seu filho. E longe da guarda admite que gosta do Van. Do Van Diesel.
E seu filho outro dia confessou. Ele gosta do Van. Do VAn Damme.
E tal com o pai seu filho vai ser, um dia, um cineasta. Mas não será cine-astro. E não vai ser de vã-guarda.
obs:
*vin diesel é o nome correto. Mas tem gente que pronuncia van. Então dei uma adaptada par funcionar a piada.
Seu auge foi no dia em que, premiado no Festival, foi aplaudido na van por seus amigos da guarda. Era uma van a Diesel. Uma van-Diesel
Seus amigos da guarda eram como ele: dedicavam a vida a fazer a guarda. Guarda do que? Do exato conceito de van-guarda.
Mesmo fazendo guarda ele não era de todo cão e nem sempre dizia não. E além de gostar de vans e de amar a guarda ele tambem gostava do Van Diesel*.
Mas não contava isso para seus amigos da guarda que andavam com ele nas vans. Mesmo sabendo que as van eram a diesel. Eram vans-diesel.
Mas foi tudo em vão. Cinema no Brasil é assim: não tem chão. E além do mais, "é tão díficil conseguir captação". Toda sua guarda foi em vão. Foi uma vã-guarda.
Hoje, Ele, quando muito, fica em casa. Ali. Sentado. Vendo televisão.
Nunca mais sequer andou de van. Mas , ao menos, nunca mais ficou na guarda.
Agora feliz, Ele brinca com seu filho. E longe da guarda admite que gosta do Van. Do Van Diesel.
E seu filho outro dia confessou. Ele gosta do Van. Do VAn Damme.
E tal com o pai seu filho vai ser, um dia, um cineasta. Mas não será cine-astro. E não vai ser de vã-guarda.
obs:
*vin diesel é o nome correto. Mas tem gente que pronuncia van. Então dei uma adaptada par funcionar a piada.
A onda sonora do LUZ o ilumina
LUZ era um homem cuja realidade se resumia a batalha para superar "o mundo da ilusão".
Foi assim que LUZ passou a vida toda preso na ilusão de que estar superando a i-lus-ão.
A ilusão de LUZ era a sombria realidade do mundo material. Mesmo encarnado ele vivia a ilusão de vencer a matéria. LUZ não curtia Jesus e jamais poria no carro o adesivo "100% Jesus". Carro até vai. Mas carro com Adesivo é muita matéria para o gosto do Luz. Mas, mesmo sem adesivo, o sonho oculto de LUZ era um dia ser “ 100% LUZ”.
Um ex-amigo bebâdo, sábio e sombrio cruzou com LUZ na rua e disse: "Quer virar luz? De um tiro no ouvido!!!".
Mas LUZ não ouviu esse som. Iludido pela luz, LUZ não ouvia sons oriundos da sombra. Luz na verdade, não ouvia som algum. Quando muito, a própria voz.
É que Luz era muito humilde. Tão humilde que ficou dominado pela arrogância típica das pessoas que se auto-definem humildes. E foi assim que não percebeu a realidade dita pelo sombrio corpo material do sábio ex-amigo bêbado dominado pela ilusão.
LUZ ficou sozinho por muitos e muitos anos. Sozinho e arrogante. Com tristeza galopante, LUZ ficou sombrio.
Até que no auge da escuridão a luz finalmente chegou. E veio na forma de som.
Começou com uma mudança sutil em sua material corda vocal.
Há anos o LUZ falava sozinho. Era uma prática oculta: a busca da retórica perfeita com a oralidade ideal. Ele sabia que a voz é música e a música é a mais espiritual das artes. E quando menos esperava, quando já estava nas profundezas de suas sombras, chegou uma luz. E com ela a grande mudança: a voz de Luz alcançou o exato tom iluminado.
Luz sempre falara pausado. Mas antes seu tom era apenas chato. Agora sua corda vocal, numa mutação iluminadissima, desenvolvera uma técnica que dava a impressão que sua voz vinha de longe. De trás. Do alto. Sublime e avante. A voz de LUZ era etérea. O som de LUZ era um som sagrado.
Mas era apenas uma sutil mudança vibratória em sua material corda vocal.
A voz de LUZ causou impacto. Quando Luz falava, seu corpo era como um boneco de ventríloquo, controlado pela luz do iluminado espírito do LUZ. A voz parecia vir de longe, direto da luz até o som, sem se contaminar pela sombria matéria material. Luz não precisava nem mexer a boca, esse tão carnal aparelho sonoro.
Logo LUZ ganhou adeptos. Quando LUZ falava o seu público - que odiava seus próprios degradados corpinhos materiais - vibrava em silêncio respeitoso. De etéreo balão solitário a flanar na ilusão de criticar ilusoriamente o "mundo da ilusão" material, LUZ finalmente, virou uma luz que ilumina. O sucesso foi tanto que LUZ falava em grandes palcos materiais super iluminados por grandes holofotes materiais, para uma imensa platéia de sombrios corpos humanos materiais encarnados que – a procura da própria iluminação e do próprio desapego da matéria - iam ouvir os sons emitidos por LUZ. Ninguém ligava muito para o conteúdo por trás do som, era o mesmo de sempre. O que colava mesmo era voz do LUZ. Ou como disse um fã mais heavy, ainda em início de conversão: “o cara faz um mega som iluminado”.
E foi assim, emitindo sons iluminados, que o corpinho material de LUZ conseguiu, finalmente, ser feliz na parte sombria da matéria. Está certo que LUZ evitava sorrir, pois “seria carnal demais”. Mas era feliz. Quando ele menos percebeu, estava realmente iluminado. Feliz, pleno.
Combater "o mundo material da ilusão" virou uma realidade material. E LUZ chegou a iluminação devido a sua material corda vocal que emitia uma sonora onda espiritual.
Ou como já disseram em algum lugar sagrado: no princípio era o verbo.
Moral da história
Ilusão que só ilude só, é só ilusão que se ilude só. Mas ilusão que nos ilude junto, é realidade.
Nem se essa ilusão for a ilusão de “combater a ilusão”.
Foi assim que LUZ passou a vida toda preso na ilusão de que estar superando a i-lus-ão.
A ilusão de LUZ era a sombria realidade do mundo material. Mesmo encarnado ele vivia a ilusão de vencer a matéria. LUZ não curtia Jesus e jamais poria no carro o adesivo "100% Jesus". Carro até vai. Mas carro com Adesivo é muita matéria para o gosto do Luz. Mas, mesmo sem adesivo, o sonho oculto de LUZ era um dia ser “ 100% LUZ”.
Um ex-amigo bebâdo, sábio e sombrio cruzou com LUZ na rua e disse: "Quer virar luz? De um tiro no ouvido!!!".
Mas LUZ não ouviu esse som. Iludido pela luz, LUZ não ouvia sons oriundos da sombra. Luz na verdade, não ouvia som algum. Quando muito, a própria voz.
É que Luz era muito humilde. Tão humilde que ficou dominado pela arrogância típica das pessoas que se auto-definem humildes. E foi assim que não percebeu a realidade dita pelo sombrio corpo material do sábio ex-amigo bêbado dominado pela ilusão.
LUZ ficou sozinho por muitos e muitos anos. Sozinho e arrogante. Com tristeza galopante, LUZ ficou sombrio.
Até que no auge da escuridão a luz finalmente chegou. E veio na forma de som.
Começou com uma mudança sutil em sua material corda vocal.
Há anos o LUZ falava sozinho. Era uma prática oculta: a busca da retórica perfeita com a oralidade ideal. Ele sabia que a voz é música e a música é a mais espiritual das artes. E quando menos esperava, quando já estava nas profundezas de suas sombras, chegou uma luz. E com ela a grande mudança: a voz de Luz alcançou o exato tom iluminado.
Luz sempre falara pausado. Mas antes seu tom era apenas chato. Agora sua corda vocal, numa mutação iluminadissima, desenvolvera uma técnica que dava a impressão que sua voz vinha de longe. De trás. Do alto. Sublime e avante. A voz de LUZ era etérea. O som de LUZ era um som sagrado.
Mas era apenas uma sutil mudança vibratória em sua material corda vocal.
A voz de LUZ causou impacto. Quando Luz falava, seu corpo era como um boneco de ventríloquo, controlado pela luz do iluminado espírito do LUZ. A voz parecia vir de longe, direto da luz até o som, sem se contaminar pela sombria matéria material. Luz não precisava nem mexer a boca, esse tão carnal aparelho sonoro.
Logo LUZ ganhou adeptos. Quando LUZ falava o seu público - que odiava seus próprios degradados corpinhos materiais - vibrava em silêncio respeitoso. De etéreo balão solitário a flanar na ilusão de criticar ilusoriamente o "mundo da ilusão" material, LUZ finalmente, virou uma luz que ilumina. O sucesso foi tanto que LUZ falava em grandes palcos materiais super iluminados por grandes holofotes materiais, para uma imensa platéia de sombrios corpos humanos materiais encarnados que – a procura da própria iluminação e do próprio desapego da matéria - iam ouvir os sons emitidos por LUZ. Ninguém ligava muito para o conteúdo por trás do som, era o mesmo de sempre. O que colava mesmo era voz do LUZ. Ou como disse um fã mais heavy, ainda em início de conversão: “o cara faz um mega som iluminado”.
E foi assim, emitindo sons iluminados, que o corpinho material de LUZ conseguiu, finalmente, ser feliz na parte sombria da matéria. Está certo que LUZ evitava sorrir, pois “seria carnal demais”. Mas era feliz. Quando ele menos percebeu, estava realmente iluminado. Feliz, pleno.
Combater "o mundo material da ilusão" virou uma realidade material. E LUZ chegou a iluminação devido a sua material corda vocal que emitia uma sonora onda espiritual.
Ou como já disseram em algum lugar sagrado: no princípio era o verbo.
Moral da história
Ilusão que só ilude só, é só ilusão que se ilude só. Mas ilusão que nos ilude junto, é realidade.
Nem se essa ilusão for a ilusão de “combater a ilusão”.
sábado, 2 de janeiro de 2010
O filho do farmaceutico
O filho do farmaceutico
Galileu Caneta tem oito anos e é um menino assustado. Pequeno, magro, muito branco, cabeça grande, loiro quase oxigenado e com grandes olhos azuis. Podia ser duble do E.T., o extraterrestre.
- Ele é filho do farmacêutico.
Foi o que disse sua irmã, Fátima, assim que viu o recém nascido bebe Galileu. Afinal, com uma mãe portuguesa com panca de moura e um pai brancola, mas de cabelo preto, aquele menino quase albino só podia ser filho do albinissimo farmacêutico da loja da esquina. Todos riram da inocência da irmã Fátima e o comentário se tornou uma piada familiar. Mesmo crescido, bastava chegar uma visita para que Mary, a mãe moura do quase albino Galileu, perguntava a filha:
- Com quem que o Galileu parece mesmo?
E ela respondia orgulhosa pela atenção, toda sorridente e marota:
- Galileu é filho do farmacêutico! Galileu é filho do farmacêutico!
Todos riam de tão engraçada piada. Menos o Galileu. Assim que ele entendeu o que queria dizer ser filho de alguém ele começou a levar essa história a sério: será mesmo que sou filho de meus pais? Essa dúvida preencheu toda sua infância. Do farmacêutico eu não sou filho. De uma única coisa Galileu tinha certeza: minha mãe é digna, ela não trairia meu pai... Mas não serei eu um filho adotivo?
No transcorrer dos anos, já na pré-adolêscencia, suas dúvidas foram se tornando certezas. Galileu foi, aos poucos, juntando pistas. Descobriu que sua mãe dizia ter engravidado dele (supostamente, é claro) aos 39 anos. Era uma idade avançada e isso não era comum naquela época. Descobriu que ela sempre teve problemas com reprodução e demorou para engravidar de sua irmã. “Tivemos até que fazer promessa a nossa Senhora”. Deu certo. Todos na família não gostavam do nome Fátima, mas sua irmã carregou a vida toda esse karma devido à bem sucedida promessa. E – principalmente - descobriu que tinha um irmãozinho anjinho, que todos falavam, um feto de seis meses que decidiu morrer antes de nascer. Para Galileu, estava tudo claro, clarrissimo. Sua mãe tinha dificuldade para engravidar. Teve um aborto. Ficou estéril. E, os pais, decididos a ter um filho homem, decidiram adotar Galileu.
“Elementar, meu caro, Cristian”, dizia ele ao pequeno primo e único confessor. Era tudo obvio. Galileu só não entendia porque eles insistiam tanto em continuar a viver essa mentira. Toda vez que passavam em frente ao Hospital São Caetano seus pais vinham com aquele papo: foi aqui que você nasceu! Foi aqui que você nasceu!
Mas Galileu não caía nessa. Impressionava-se com os detalhes da farsa: seus pais adotivos mentiam bem.
Mas era muito barulho por nada. Não precisava disso. Ele já tinha visto na televisão: contar para uma criança que ela é adotada pode causar um trauma imenso.Eterno. Deve ser por isso que não me contam. “Eles querem preservar minha psique”, pensava ele. Contar só na hora certa, para evitar traumas. Mas Galileu já se considerava maduro o suficiente para saber a verdade. E já tinha decidido: não vou perder tempo tentando descobrir quem são meus pais verdadeiros. Ao se abrir com seu primo sempre dizia: “Pai mesmo é quem cria”, dizia ele com tom maduro e voz meio gaga de criança.
Mas, em seus sonhos mais secretos, Galileu sempre imaginava uma grande aventura em busca de sua verdadeira origem. Uma aventura meio policial, cheio de arquivos secretos em porões imundos da ditadura e de personagens soturnos, vindos do reino da política e da magia. E imaginava seu pai de múltiplas formas, variadas, ao gosto do dia. Líder guerilheiro. Explorador da Amazônia. Budista no Tibete. Mas geralmente morto, falecido. Pois, no fundo, ele não queria outro pai vivo. Um já basta. Mas queria outra origem. Queria um novo mentor espiritual, um novo caminho. Assim, todos os pais mortos que imaginava eram sempre altivos, fortes, soberanos. Todos bem diferentes de seu assustado pai Espartacus. Sim, pois tal como Galileu, Espartacus também era muito assustado.
Foi assim, com medo da realidade ao redor, mas certo de sua orfandade oculta e de sua origem heróica, que Galileu cresceu.
Toda vez que sua mãe vinha falar com ele, ele aguardava a noticia: é hoje que vão me contar que sou adotado. Mas eles nunca disseram nada.
Pois, na verdade, ele não era adotado.
Galileu era mesmo filho de Mary com Espartacus e tinha uma única irmã, Fátima.
Essa é a pura verdade. Foi muito difícil Galileu aceitar isso. A vida então é só isso? São esses mesmos meus pais, é essa minha família? Sim, meu filho... É só isso mesmo... Galileu só conseguiu aceitar essa verdade inconteste já quarentão, após muitas e muitas horas de terapia intensiva.
Galileu Caneta tem oito anos e é um menino assustado. Pequeno, magro, muito branco, cabeça grande, loiro quase oxigenado e com grandes olhos azuis. Podia ser duble do E.T., o extraterrestre.
- Ele é filho do farmacêutico.
Foi o que disse sua irmã, Fátima, assim que viu o recém nascido bebe Galileu. Afinal, com uma mãe portuguesa com panca de moura e um pai brancola, mas de cabelo preto, aquele menino quase albino só podia ser filho do albinissimo farmacêutico da loja da esquina. Todos riram da inocência da irmã Fátima e o comentário se tornou uma piada familiar. Mesmo crescido, bastava chegar uma visita para que Mary, a mãe moura do quase albino Galileu, perguntava a filha:
- Com quem que o Galileu parece mesmo?
E ela respondia orgulhosa pela atenção, toda sorridente e marota:
- Galileu é filho do farmacêutico! Galileu é filho do farmacêutico!
Todos riam de tão engraçada piada. Menos o Galileu. Assim que ele entendeu o que queria dizer ser filho de alguém ele começou a levar essa história a sério: será mesmo que sou filho de meus pais? Essa dúvida preencheu toda sua infância. Do farmacêutico eu não sou filho. De uma única coisa Galileu tinha certeza: minha mãe é digna, ela não trairia meu pai... Mas não serei eu um filho adotivo?
No transcorrer dos anos, já na pré-adolêscencia, suas dúvidas foram se tornando certezas. Galileu foi, aos poucos, juntando pistas. Descobriu que sua mãe dizia ter engravidado dele (supostamente, é claro) aos 39 anos. Era uma idade avançada e isso não era comum naquela época. Descobriu que ela sempre teve problemas com reprodução e demorou para engravidar de sua irmã. “Tivemos até que fazer promessa a nossa Senhora”. Deu certo. Todos na família não gostavam do nome Fátima, mas sua irmã carregou a vida toda esse karma devido à bem sucedida promessa. E – principalmente - descobriu que tinha um irmãozinho anjinho, que todos falavam, um feto de seis meses que decidiu morrer antes de nascer. Para Galileu, estava tudo claro, clarrissimo. Sua mãe tinha dificuldade para engravidar. Teve um aborto. Ficou estéril. E, os pais, decididos a ter um filho homem, decidiram adotar Galileu.
“Elementar, meu caro, Cristian”, dizia ele ao pequeno primo e único confessor. Era tudo obvio. Galileu só não entendia porque eles insistiam tanto em continuar a viver essa mentira. Toda vez que passavam em frente ao Hospital São Caetano seus pais vinham com aquele papo: foi aqui que você nasceu! Foi aqui que você nasceu!
Mas Galileu não caía nessa. Impressionava-se com os detalhes da farsa: seus pais adotivos mentiam bem.
Mas era muito barulho por nada. Não precisava disso. Ele já tinha visto na televisão: contar para uma criança que ela é adotada pode causar um trauma imenso.Eterno. Deve ser por isso que não me contam. “Eles querem preservar minha psique”, pensava ele. Contar só na hora certa, para evitar traumas. Mas Galileu já se considerava maduro o suficiente para saber a verdade. E já tinha decidido: não vou perder tempo tentando descobrir quem são meus pais verdadeiros. Ao se abrir com seu primo sempre dizia: “Pai mesmo é quem cria”, dizia ele com tom maduro e voz meio gaga de criança.
Mas, em seus sonhos mais secretos, Galileu sempre imaginava uma grande aventura em busca de sua verdadeira origem. Uma aventura meio policial, cheio de arquivos secretos em porões imundos da ditadura e de personagens soturnos, vindos do reino da política e da magia. E imaginava seu pai de múltiplas formas, variadas, ao gosto do dia. Líder guerilheiro. Explorador da Amazônia. Budista no Tibete. Mas geralmente morto, falecido. Pois, no fundo, ele não queria outro pai vivo. Um já basta. Mas queria outra origem. Queria um novo mentor espiritual, um novo caminho. Assim, todos os pais mortos que imaginava eram sempre altivos, fortes, soberanos. Todos bem diferentes de seu assustado pai Espartacus. Sim, pois tal como Galileu, Espartacus também era muito assustado.
Foi assim, com medo da realidade ao redor, mas certo de sua orfandade oculta e de sua origem heróica, que Galileu cresceu.
Toda vez que sua mãe vinha falar com ele, ele aguardava a noticia: é hoje que vão me contar que sou adotado. Mas eles nunca disseram nada.
Pois, na verdade, ele não era adotado.
Galileu era mesmo filho de Mary com Espartacus e tinha uma única irmã, Fátima.
Essa é a pura verdade. Foi muito difícil Galileu aceitar isso. A vida então é só isso? São esses mesmos meus pais, é essa minha família? Sim, meu filho... É só isso mesmo... Galileu só conseguiu aceitar essa verdade inconteste já quarentão, após muitas e muitas horas de terapia intensiva.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Morto-Vivo
Será que para quem é morto, morto são os vivos?
Ou explicando melhor.
SUPONDO QUE HÁ VIDA APÓS A MORTE
Como, exatamente como, um morto – que, na prática, esta vivendo a vida após a morte - pode ter certeza que ele está morto? De seu ponto de vista, aquilo não é a vida?
E ainda nessa lógica. Como um vivo pode saber se aquilo que ele vive não é a morte? Ou melhor, a vida após a morte.
Será que nós, os vivos, somos - na verdade - os mortos?
Ou explicando melhor.
SUPONDO QUE HÁ VIDA APÓS A MORTE
Como, exatamente como, um morto – que, na prática, esta vivendo a vida após a morte - pode ter certeza que ele está morto? De seu ponto de vista, aquilo não é a vida?
E ainda nessa lógica. Como um vivo pode saber se aquilo que ele vive não é a morte? Ou melhor, a vida após a morte.
Será que nós, os vivos, somos - na verdade - os mortos?
domingo, 2 de agosto de 2009
O ciclo de desconfiança
Caros amigos,
Saiu um artigo do Luiz Eduardo já está publicado no site Gramsci, muito interessante. Basta seguir o link
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1123
O artigo me motivou a escrever umas reflexões que comecei a ter por esses dias. Foi durante o debate com o Juca Ferreira e Alfredo Manevy no Teatro Oficina. Eu troquei umas idéias com o Pedro Rovai e bolamos esse conceito de ciclo de desconfiança, de como o controle público dos orçamentos evoluiu para um estado paranóico que, de tanto medo de ser “roubado”, acaba incentivando a corrupção. E de como esse modelo tem causado sequelas a criação.
Por coincidência dialoga com o texto do Soares e, após ler o artigo dele, decidi botar no papel.
Espero que contribua.
abraço
Newton
O ciclo de desconfiança
(ou como o estado paranoico incentiva a corrupção)
Sempre que me envolvo minimamente com produção cinematográfica fico chocado com a quantidade de papeis que eles exigem. A coisa é tão maluca que os tecnicos recomendam os produtores a , antes de realizar o filme, já elaborar a prestação de contas. Isso sem ter ainda negociado com nenhum de seus parceiros, não tem fechado nenhum cache, não ter ainda negociado com fornecedores, etc... Mas você já tem que definir todos os custos antes, pois não poderá mudar depois. Assim, um projeto tem agora duas obras ficcionais: o roteiro e o orçamento.
É um caso tipico de estado que, paranoico pelo medo de ser roubado (ou de ser denunciado pela Veja, na verdade), acaba incentivando a corrupção
É um ciclo de desconfiança!
O Estado parte do pressuposto que todos os produtores culturais são bandidos que querem assaltá-lo. É como se toda vez que você saisse a rua houvesse policiais revistando todos os cidadãos para ver se eles não são "criminosos". É um Estado de vigilancia permanente, um estado paranoico.
O pior é que isso incentiva a corrupção. Psicologia básica. Teve uma epóca que eu tinha muitas amigas e amigos entre pessoas que são próximas a criminalidade. Eles viviam em casa, faziamos festas e viamos filmes. Nunca ningúem me roubou. Mas uma noite olhei para uma menina e achei que ela ia me roubar. Fiquei com isso na cabeça, não me saia da mente. Eu olhava para ela desconfiado, preocupado. Numa dessas olhadas ela notou. Eu fiquei ainda mais preocupado. Pensei em fazer alguma coisa, tirá-la de lá. Mas ela já tinha roubado meu IPOD e saído de fininho. Foi um tipico exemplo. Ela é realmente uma pessoa que tem hábito de roubar. Mas não acredito que ela estava pensando em me roubar. Pois ela não era patólogica. Mas quando eu a julguei como ladra, ela na mesma hora, decidiu me roubar. Meu julgamento prévio a motivou.
É assim que a constante desconfiança do estado diante dos parceiros que ele apoia acaba gerando um ciclo de desconfiança. Um ciclo aonde todos acabam fazendo orçamentos fantasiosos para suas obras, apenas para justificar a prestação de contas em relação ao estado. Assim, um cara que apenas está fazendo um projeto cultural de 50 mil reais, começa a usar as mesma "técnicas" de prestação de contas falsas, de um corrupto mega-milionário.
Tal como as cadeias ensinam jovens a serem criminososo graduados, o modelo de produção cultural ensina os realizadores a falsificarem orçamentos.
Além de incentivar a corrupção esse modelo inibe a criação artistica livre, pois burocratiza, exige previsão completa da obra a ser realizada, invializando todos os produtos artisticos baseados em work in progress. A criatividade é totalmente inibida.
É preciso romper o ciclo de desconfiança
Jà existem soluções ensaiadas no Estado
Um projeto como o DOCTV não pede sequer prestação de contas ao produtor do documentário. Ele parte do pressuposto que o estado está investindo no filme sendo, inclusive, sócio do produto final. Então ele dá a grana e exige, como prestação de contas, apenas o produto final.
É uma solução fantastica em sua simplicidade!
É claro que o doctv ainda trabalha com valores menores. Para valores maiores pode ser que sejam necessárias outras formas de "controle". Pode-ser por exemplo, distribuir o dinheiro em 3 parcelas. Mas permitindo a permanente recriação do orçamento e sem panico com a suposta roubalheira. Supondo-se que o produtor conseguiu gastar menos do que previsto no filme. Há algo de errado em ele ficar com o restante?
Para mim obviamente não!
Isso de querer impedir que o produtor ganhe a sobra da grana é resquicio de ética católica que quer impedir o enriquecemento dos capitalistas brasileiros.
SE ele consegue entregar um produto de qualidade com menos custos (e cumprindo, por exemplo, as tabelas dos sindicatos para salarios das pessoas), não há mal nenhum em o produtor ficar com o resto da grana
Para um investidor, o estado, o que deve interessar é que ele fez a obra. E a qualidade da obra.
Se o estado parar de se imaginar como provedor de ajuda, e se imaginar como investidor, ele deixará de tratar os empresarios (culturais ou de qualquer área) não como um suposto ente que quer assaltá-lo. Ele pensará nos empresários como sócios na construção de um mesmo projeto: um Brasil melhor. Será quebrado o ciclo de desconfiança e os talentos poderão aflorar.
Saiu um artigo do Luiz Eduardo já está publicado no site Gramsci, muito interessante. Basta seguir o link
http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1123
O artigo me motivou a escrever umas reflexões que comecei a ter por esses dias. Foi durante o debate com o Juca Ferreira e Alfredo Manevy no Teatro Oficina. Eu troquei umas idéias com o Pedro Rovai e bolamos esse conceito de ciclo de desconfiança, de como o controle público dos orçamentos evoluiu para um estado paranóico que, de tanto medo de ser “roubado”, acaba incentivando a corrupção. E de como esse modelo tem causado sequelas a criação.
Por coincidência dialoga com o texto do Soares e, após ler o artigo dele, decidi botar no papel.
Espero que contribua.
abraço
Newton
O ciclo de desconfiança
(ou como o estado paranoico incentiva a corrupção)
Sempre que me envolvo minimamente com produção cinematográfica fico chocado com a quantidade de papeis que eles exigem. A coisa é tão maluca que os tecnicos recomendam os produtores a , antes de realizar o filme, já elaborar a prestação de contas. Isso sem ter ainda negociado com nenhum de seus parceiros, não tem fechado nenhum cache, não ter ainda negociado com fornecedores, etc... Mas você já tem que definir todos os custos antes, pois não poderá mudar depois. Assim, um projeto tem agora duas obras ficcionais: o roteiro e o orçamento.
É um caso tipico de estado que, paranoico pelo medo de ser roubado (ou de ser denunciado pela Veja, na verdade), acaba incentivando a corrupção
É um ciclo de desconfiança!
O Estado parte do pressuposto que todos os produtores culturais são bandidos que querem assaltá-lo. É como se toda vez que você saisse a rua houvesse policiais revistando todos os cidadãos para ver se eles não são "criminosos". É um Estado de vigilancia permanente, um estado paranoico.
O pior é que isso incentiva a corrupção. Psicologia básica. Teve uma epóca que eu tinha muitas amigas e amigos entre pessoas que são próximas a criminalidade. Eles viviam em casa, faziamos festas e viamos filmes. Nunca ningúem me roubou. Mas uma noite olhei para uma menina e achei que ela ia me roubar. Fiquei com isso na cabeça, não me saia da mente. Eu olhava para ela desconfiado, preocupado. Numa dessas olhadas ela notou. Eu fiquei ainda mais preocupado. Pensei em fazer alguma coisa, tirá-la de lá. Mas ela já tinha roubado meu IPOD e saído de fininho. Foi um tipico exemplo. Ela é realmente uma pessoa que tem hábito de roubar. Mas não acredito que ela estava pensando em me roubar. Pois ela não era patólogica. Mas quando eu a julguei como ladra, ela na mesma hora, decidiu me roubar. Meu julgamento prévio a motivou.
É assim que a constante desconfiança do estado diante dos parceiros que ele apoia acaba gerando um ciclo de desconfiança. Um ciclo aonde todos acabam fazendo orçamentos fantasiosos para suas obras, apenas para justificar a prestação de contas em relação ao estado. Assim, um cara que apenas está fazendo um projeto cultural de 50 mil reais, começa a usar as mesma "técnicas" de prestação de contas falsas, de um corrupto mega-milionário.
Tal como as cadeias ensinam jovens a serem criminososo graduados, o modelo de produção cultural ensina os realizadores a falsificarem orçamentos.
Além de incentivar a corrupção esse modelo inibe a criação artistica livre, pois burocratiza, exige previsão completa da obra a ser realizada, invializando todos os produtos artisticos baseados em work in progress. A criatividade é totalmente inibida.
É preciso romper o ciclo de desconfiança
Jà existem soluções ensaiadas no Estado
Um projeto como o DOCTV não pede sequer prestação de contas ao produtor do documentário. Ele parte do pressuposto que o estado está investindo no filme sendo, inclusive, sócio do produto final. Então ele dá a grana e exige, como prestação de contas, apenas o produto final.
É uma solução fantastica em sua simplicidade!
É claro que o doctv ainda trabalha com valores menores. Para valores maiores pode ser que sejam necessárias outras formas de "controle". Pode-ser por exemplo, distribuir o dinheiro em 3 parcelas. Mas permitindo a permanente recriação do orçamento e sem panico com a suposta roubalheira. Supondo-se que o produtor conseguiu gastar menos do que previsto no filme. Há algo de errado em ele ficar com o restante?
Para mim obviamente não!
Isso de querer impedir que o produtor ganhe a sobra da grana é resquicio de ética católica que quer impedir o enriquecemento dos capitalistas brasileiros.
SE ele consegue entregar um produto de qualidade com menos custos (e cumprindo, por exemplo, as tabelas dos sindicatos para salarios das pessoas), não há mal nenhum em o produtor ficar com o resto da grana
Para um investidor, o estado, o que deve interessar é que ele fez a obra. E a qualidade da obra.
Se o estado parar de se imaginar como provedor de ajuda, e se imaginar como investidor, ele deixará de tratar os empresarios (culturais ou de qualquer área) não como um suposto ente que quer assaltá-lo. Ele pensará nos empresários como sócios na construção de um mesmo projeto: um Brasil melhor. Será quebrado o ciclo de desconfiança e os talentos poderão aflorar.
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